Os robôs humanoides da Meta já saíram do campo das ideias e chegaram à fase de protótipo. Segundo reportagem do The Information, a dona do Facebook trabalhou com a fabricante chinesa Fourier para criar uma máquina destinada a pesquisas internas sobre inteligência artificial aplicada a tarefas domésticas. A informação importa porque mostra a Meta tentando levar seus agentes digitais para um corpo capaz de perceber ambientes e manipular objetos.
O projeto ainda não foi anunciado pela empresa como produto comercial. A própria Meta teria informado ao veículo que a colaboração com a Fourier serve para pesquisa e experimentação. Portanto, a novidade deve ser entendida como um teste de laboratório, e não como um robô pronto para chegar às lojas.

O que se sabe sobre os robôs humanoides da Meta
O primeiro protótipo recebeu internamente o nome Max, de acordo com a apuração publicada pelo The Information e repercutida no Brasil. Ele teria cerca de 1,5 metro de altura, peso aproximado de 48 quilos, tela para reproduzir expressões faciais, alto-falantes e mãos com cinco dedos.
O equipamento usaria a plataforma Jetson Thor, da Nvidia, criada para processamento de inteligência artificial em robôs. A combinação de câmeras, sensores, capacidade de cálculo e mãos articuladas é importante porque um robô doméstico precisa reconhecer pessoas e objetos, planejar movimentos e executar ações sem depender de comandos rígidos para cada situação.

A equipe de robótica da Meta teria trabalhado diretamente com a Fourier na China. O desenvolvimento do Max levou aproximadamente três meses, e um segundo protótipo, chamado Max 2, já estaria em preparação com mudanças no torso, nas mãos e nos sensores usados para navegação. Esses detalhes vêm da reportagem, não de uma ficha técnica publicada pela Meta.
Por que a Fourier entrou no projeto
A Fourier já desenvolve robôs humanoides para pesquisa, serviços e aplicações de assistência. Em agosto de 2025, a empresa apresentou o GR-3, modelo de 1,65 metro e 71 quilos com câmeras, microfones, sensores de pressão e até 55 graus de liberdade. A proposta declarada pela fabricante é permitir interações em ambientes públicos, acadêmicos e clínicos.
O anúncio do GR-3 também descreve uma arquitetura que combina visão, áudio e toque. Essa experiência ajuda a explicar por que a Meta procurou a companhia: construir um corpo humanoide exige engenharia mecânica, controle de equilíbrio e segurança física, áreas diferentes do treinamento de modelos de linguagem.

Para a Meta, o valor estratégico estaria no software. A empresa pesquisa agentes capazes de compreender contexto, tomar decisões e concluir tarefas em várias etapas. Em outubro, ela apresentou os modelos Muse Wonder para atividades pessoais e profissionais. O Galaxy IA explicou como esse agente de IA da Meta usa memória e planejamento.
Colocar capacidades semelhantes em um robô criaria uma forma de inteligência incorporada. Em vez de apenas responder no celular ou computador, o agente poderia receber informações de câmeras e sensores, deslocar-se pela casa e agir sobre objetos. Essa é a ambição de longo prazo descrita na reportagem, mas ainda faltam demonstrações públicas para medir autonomia, precisão e segurança.
O que ainda falta confirmar sobre o projeto
A Meta não publicou fotos oficiais do Max, especificações completas, vídeo de funcionamento ou cronograma de lançamento. Também não informou preço, mercado inicial ou data para testes com consumidores. A companhia disse que as unidades feitas com a Fourier não têm comercialização prevista, o que reduz a chance de um lançamento imediato.

Há desafios relevantes antes de um robô assim entrar em residências. Manipular objetos frágeis, circular perto de crianças e animais, proteger imagens captadas dentro de casa e reagir corretamente a situações inesperadas exige validação extensa. Bateria, manutenção e custo também influenciam a viabilidade fora do laboratório.
Por enquanto, o Max funciona como sinal da direção escolhida pela Meta: unir modelos de IA, percepção multimodal e hardware humanoide. Se a pesquisa avançar, a empresa poderá disputar espaço com fabricantes que já desenvolvem robôs de uso geral. Até que haja uma apresentação oficial, porém, as capacidades atribuídas ao protótipo devem ser tratadas como informações de uma apuração jornalística, e não como promessa de produto.











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