Lar Tecnologia Primeira ligação 6G ao ar livre antecipa rede de 2030
TecnologiaÚltimas notícias

Primeira ligação 6G ao ar livre antecipa rede de 2030

A primeira ligação 6G ao ar livre anunciada por Ericsson e Verizon colocou dois veículos em movimento para trocar vídeo em alta definição por uma rede experimental na Califórnia. O teste importa porque levou componentes pensados para a próxima geração móvel a uma situação de campo, mas ainda não representa uma rede comercial nem um celular 6G pronto para venda.

A demonstração ocorreu em Concord, nos Estados Unidos, e usou 400 MHz de espectro na faixa de 7 GHz. Segundo as empresas, a área de teste cobriu cerca de três quilômetros, com duas torres e três rádios por setor. Um protótipo semelhante a um telefone foi instalado em um veículo de testes móveis.

Torre de telefonia usada para ilustrar a primeira ligação 6G ao ar livre
Imagem: Pexels (Ulrick Trappschuh)

O que a primeira ligação 6G conseguiu demonstrar

O resultado mais visível foi uma comunicação de vídeo em tempo real entre dois veículos que circulavam simultaneamente. A transmissão foi bidirecional e móvel, uma diferença importante em relação a ensaios restritos a laboratórios, cabos ou equipamentos parados em ambientes controlados.

Para viabilizar o teste, a Ericsson empregou uma versão pré-comercial de distributed massive MIMO, técnica que distribui antenas e processamento para combinar sinais de vários pontos. O sistema também reuniu chips personalizados, formação híbrida de feixes analógica e digital, interface aérea baseada no 5G e software Cloud RAN da fabricante.

Antenas de rede móvel semelhantes às usadas em testes de 6G
Imagem: Pexels (Ulrick Trappschuh)

A faixa de 7 GHz foi escolhida por oferecer um equilíbrio considerado estratégico para o 6G. Ela pode disponibilizar canais mais largos do que faixas móveis tradicionais e, ao mesmo tempo, manter alcance mais favorável do que frequências extremamente altas. Na prática, a indústria busca aumentar capacidade sem depender apenas de antenas de alcance muito curto.

Por que o teste ainda não coloca o 6G no celular

A demonstração valida uma arquitetura experimental, não um produto final. O protótipo, os rádios, o software e a faixa usada ainda precisam convergir com padrões internacionais, decisões regulatórias, chips comerciais e aparelhos produzidos em escala. Até essas etapas avançarem, resultados de campo servem principalmente para medir cobertura, estabilidade e comportamento do sinal.

As próprias empresas trabalham com a expectativa de lançamento do 6G por volta de 2030. Esse horizonte ajuda a separar a experiência atual da implantação do 5G, que continua evoluindo. Ericsson e Verizon também anunciaram a expansão do 5G Standalone e de rádios Massive MIMO nos Estados Unidos ao longo de 2026 e 2027.

Torre de comunicações representa a evolução do 5G para o 6G
Imagem: Pexels (Qeis Ismail)

Isso significa que muitas ideias associadas ao 6G podem aparecer primeiro como melhorias da infraestrutura 5G. Redes programáveis, processamento distribuído, automação por inteligência artificial e melhor integração entre conectividade e computação de borda tendem a amadurecer antes de uma troca completa de geração.

O que pode mudar em relação ao 5G

O 6G é estudado para lidar com mais dispositivos, aplicações sensíveis a atrasos e serviços que combinam comunicação, percepção do ambiente e computação. A demonstração em movimento não prova todas essas possibilidades, mas testa uma base necessária: manter uma conexão de alta capacidade enquanto os terminais mudam de posição e atravessam a área atendida.

Essa evolução pode beneficiar veículos conectados, robôs industriais, realidade estendida e dispositivos pessoais com inteligência artificial. O avanço acompanha a multiplicação de equipamentos que capturam e processam dados continuamente, como os óculos inteligentes da Meta, embora novos recursos também ampliem debates sobre privacidade, segurança e consumo de energia.

Torre com múltiplas antenas ilustra a futura cobertura de rede 6G
Imagem: Pexels (Edouard Matte)

O passo seguinte é transformar medições proprietárias em contribuições para regras comuns. Ericsson e Verizon afirmam que os dados do teste serão usados em discussões do 6G Forum da FCC e no processo de padronização. A 3GPP, organização que coordena especificações móveis globais, já conduz debates técnicos sobre a próxima geração.

Até 2030, o cronograma ainda pode mudar e diferentes países podem liberar faixas distintas. O teste de Concord deve ser lido como uma prova de engenharia relevante: mostra que equipamentos experimentais conseguem sustentar vídeo entre veículos ao ar livre, mas não define preços, cobertura, velocidade de aparelhos comerciais ou data de chegada ao Brasil.

Fontes

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Modelos de óculos da Meta relacionados ao alerta sobre gravação de conversas
TecnologiaÚltimas notícias

Óculos da Meta gravando conversas: entenda a falha

Óculos da Meta gravando conversas sem comando acendem alerta de privacidade. Entenda...

Notebook exibindo tema de segurança para ilustrar o antivírus Microsoft Linux
TecnologiaÚltimas notícias

Antivírus Microsoft Linux chega a desktops corporativos

O antivírus Microsoft Linux agora protege desktops corporativos com detecção, resposta e...

Inteligência artificial do Google destaca links na página de busca
TecnologiaÚltimas notícias

Inteligência artificial do Google destaca links na busca

A inteligência artificial do Google passa a destacar links nos resumos da...

Família assiste à televisão após reajuste dos Netflix planos
StreamingÚltimas notícias

Netflix planos: preços sobem até 23,9% no Brasil

Netflix planos ficaram até 23,9% mais caros no Brasil. Compare os novos...