A medida que deixa a DeepSeek proibida nos EUA alcança sistemas e compras de tecnologia de agências civis federais, mas não impede cidadãos ou empresas privadas de usar a inteligência artificial chinesa. O aviso oficial foi disponibilizado para inspeção pública em 20 de outubro de 2026 e revela uma ordem emitida em 24 de julho pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, o DHS. A decisão importa porque exige a retirada de produtos, serviços e implementações baseados na tecnologia da DeepSeek dos ambientes abrangidos.

O documento é uma ordem de remoção e exclusão amparada pela Lei Federal de Segurança da Cadeia de Suprimentos de Aquisições, conhecida pela sigla FASCSA. Segundo o texto disponibilizado pelo Federal Register, as agências tiveram 60 dias a partir da emissão para cumprir as determinações.
O que a DeepSeek proibida nos EUA muda
Na prática, órgãos civis do governo federal devem excluir a DeepSeek de novas aquisições e remover dos sistemas os produtos ou serviços já instalados que se enquadram na ordem. O alcance não se limita ao aplicativo oficial. A redação também inclui produtos, serviços e implementações distribuídos por terceiros quando incorporam tecnologia coberta da empresa.
Essa diferença é importante porque modelos de inteligência artificial podem aparecer dentro de outras ferramentas, integrações e plataformas corporativas. Assim, o trabalho das equipes públicas não se resume a apagar um aplicativo do computador. Elas precisam identificar onde a tecnologia está presente na cadeia de fornecedores e nos sistemas contratados.

A ordem vale para agências executivas civis federais. Sistemas de segurança nacional e ambientes que processam informações compartimentadas sensíveis ficam fora deste ato específico porque são áreas atribuídas ao Departamento de Defesa e à direção de Inteligência Nacional. O público em geral, universidades, governos estaduais e companhias privadas não foram proibidos de acessar a DeepSeek por esse documento.
Quais riscos foram apontados pelo governo
O conselho federal responsável pela análise afirmou ter encontrado riscos de cadeia de suprimentos, segurança cibernética e acesso a dados. Entre os pontos citados estão o armazenamento de informações na China, a possibilidade de solicitações governamentais previstas nas leis locais e a dificuldade de controlar versões do modelo distribuídas por terceiros.
A própria política de privacidade da DeepSeek informa que entradas de texto, voz, arquivos enviados, histórico de conversas, dados do dispositivo e endereço IP podem ser coletados. O documento também diz que os dados pessoais são processados e armazenados na República Popular da China.

Isso não significa que a ordem comprove que todo uso da ferramenta seja espionagem ou que o aplicativo contenha malware. O que o governo apresenta é uma avaliação de risco para ambientes federais, nos quais uma conversa pode incluir dados operacionais, documentos internos ou informações protegidas. A distinção entre risco alegado e incidente comprovado evita ampliar a decisão além do que está registrado oficialmente.
Há exceções para pesquisa e segurança
O DHS permitiu que cada agência autorize exceções limitadas para pesquisa, avaliação ou operações relacionadas à segurança. O pedido precisa justificar a necessidade, identificar os sistemas envolvidos e descrever medidas de proteção, como isolamento do ambiente, controle de dados e impedimento de acesso a informações sensíveis.
Essas exceções não são uma liberação geral. A agência deve manter registros, impor condições e informar o uso autorizado. As regras federais de aquisição sobre ordens FASCSA orientam os responsáveis por contratos a verificar itens abrangidos, adotar as medidas exigidas e comunicar as ocorrências.

O que usuários e empresas devem entender
Para uma pessoa usando a DeepSeek em um celular particular, a publicação não cria uma proibição nacional. Para servidores, prestadores e fornecedores ligados a sistemas federais civis, porém, o efeito é direto: a tecnologia não deve permanecer nos ambientes cobertos sem uma exceção válida.
Empresas fora do governo podem tratar o caso como um alerta para revisar políticas de inteligência artificial. Informações confidenciais, códigos privados, contratos, dados pessoais e credenciais não devem ser enviados a chatbots sem uma avaliação jurídica e técnica. O cuidado é semelhante ao exigido diante de outras ameaças digitais, como mostra a matéria sobre como um site falso pode roubar senhas de VPN.
A ordem americana, portanto, tem alcance institucional específico. Ela endurece o controle sobre a presença da DeepSeek na infraestrutura civil federal e pressiona fornecedores a verificar componentes de terceiros, mas não transforma o serviço em uma ferramenta ilegal para todos os usuários dos Estados Unidos.












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